6.7.14

E aqui vai mais um poeminha...

Ninguém estudou na escola esse tipo de literatura: poeminha. É que eu só escrevo poeminhas. Pequenos, diminutos, risíveis. Trágicos. Depois de tantos anos, tanta coisa me aconteceu. Trocamos de orkut (que em breve morrera, no mês dos meus 30 anos) para facebook (que não sabemos quando irá morrer, estamos ainda guardando). Trocamos o que somos por likes e coments. Eu estava fingindo ser quem não sou. Eu sou escritor. De nada. Dizem que grandes escriturem nascem pequenos. Um dia existiu um poeta que se autodenominava, "poetinha". Então fiquem com meu poeminha de retorno, pois não quero mais prometer o que não poderei cumprir.

sem título


Sinto-me incompleto,
perfeito de incompletude
sereno
calmo
lembro de minha tia, sua mão e sua voz
lembro-me dos planos que não foram
lembro-me do amor que não tive
das injúrias, calúnias, menosprezo
lembro-me dos sorrisos, felicidade, afeto
lembro-me que não confio em ninguém, 
pois ninguém quer sua confiança
lembro dos padres e das orações
lembro-me de deus, distante, do alto
lembro-me do parque, das horas, das noites
lembro-me do sol, que nos engulirá
lembro-me do infinito e de nossa pequenez
lembro que
triste
inquieto
Incompleto de perfeição
Sinto-me completo

15.1.10

Pobres cabeças

Ontem, conersando e divugando pensamentos, uma pessoa publicou a seguinte frase:



"A Ladygaga é tudo de bom e mais um pouco!"


Nada contra a cantora pop mais criativa do ano passado, porém o que esse comentário trás, além da alienação e a impossibilidade de seu autor de rever seus conceitos.

Curtir música é um evento complexo. Não é apenas mexer o corpo e pensar "essa música é massa". Tem pessoas que nem sabem o nome do artista, tem pessoas que nem sabem as influências, o porquê daquele artista fazer o que faz. Então para que serve a arte para esses indivíduos que não conseguem dedicar nem um pouco do seu tempo em percebê-la esteticamente e cognitivamente? Acho que nem esteticamente eles conseguem admirá-la. Acreditam eles que a plasticidade de uma música é orgânica, natural. Não é uma coisa inventada e que possui sua história. Assim, Lady Gaga (nome artistico de Stefani Joanne Angelina Germanotta), torna-se sinônimo de música "dance" (no sentido de ser para dançar) e só e somente isso.

Zeca Camargo em seu blog fez uma análise que considero suficiente em língua portuguesa sobre o tema, e penso que todos os interessados deveriam ler.

Comentário curtinho.

30.9.09

As grandes Descobertas e Navegações


 


 

    Pode ser estranho o tema a debater, mas o tempo é o melhor propósito para aquele que não quer ir a lugar algum. O tempo de hoje refere-se às Grandes Navegações. Já dizia Pessoa, que navegar é preciso e viver não é preciso. Se as pessoas soubessem. Ou pelo menos prestassem mais atenção, veriam que a vida é a idéia mais metaforizada da história. Em toda literatura, os autores usam desde recurso da linguagem, e desvelam a vida, colocando seus meandros mais profundos, meandros que os pobres mortais cotidianos não são capazes de identificar. Mortais como eu e você. Até porque, não aparece um Guimarães Rosa, todos os dias. Quem dera.

    Voltando, as Grandes Navegações foram um tempo ímpar dentro da história da humanidade. Pela primeira vez, o mundo estava se conectando numa rede. A chamada rede de comércio. Os principais artífices desta conexão foram os Ibéricos. Como bem explana Buarque de Holanda em seu livro Raízes do Brasil. Livro o qual não terminei de ler. E nem deveria tê-lo citado aqui. O mal já está feito.

Certa vez, uma professora me perguntou se eu estava estudando história para adquirir um arcabouço de informações, que pudesse me ajudar na minha careira de cineasta. Disse-lhe que não, mas todos sabem que um arcabouço de informações, ou se faz com o tempo, ou se faz com a academia em quatro, cinco anos. A segunda opção é mais cômoda e econômica. Em tempos de capitalismo virtual, é uma ótima negociação.

    Falando em Capitalismo, ao assistir ao filme "Being Jonh Malkovich", percebi que a personagem principal, rendeu-se ao chamado do capitalismo. Essa conclusão veio de sua esposa. "Você deve procurar um emprego!". Se me perguntassem quem eu queria ser, responderia na hora: Voltaire. Não por sua forma peculiar de pensar, mas principalmente por ele nunca ter trabalhado e desde jeito ter adquirido um arcabouço de informações preciosissímo. Estou lendo a obra "Dicionário Filosófico" e tenho dado boas risadas. Ele é muito comédia, melhor até que muita gente que passa na televisão.

    Talvez a linguagem que eu utilizo aqui não seja a mais apropriada para refletir sobre as Grandes Navegações. Quanta besteira. Na Bahia atualmente há uma campanha contra o Presidente Lula. Quanta besteira. Todos sabem que os tucanos do sul querem derrubar as estrelas do sul, e principalmente o poder do Nordeste dentro de Brasília. Doce ilusão. Acho que devo informar-me melhor do que eu disse há pouco. Quanta besteira.

    Os brasileiros estão cansados de tantas siglas e de tantas coisas para pensar. Soube que está em elaboração o projeto Bra 1.0, um programa de computador que irá simular a realidade brasileira. As vantagens serão inúmeras. Um delas, que as pessoas não vão precisar mover um único dedo para viverem. Olha que maravilha! Um país completamente controlado por computador. A humanidade me emociona.

    Para concluir, vou pedir a palavra à mesa e me dirigir a você leitor, fazendo uma citação da importante filósofa brasileira Rita Lee: "Tudo vira bosta".

16.6.09

contos antigos...


OUTRA HISTÓRIA: em breve irei postar estórias inéditas.


Os discos


Eles ocupam muito espaço. Mas isso não é problema para Elezer. Seus mil discos são guardados em uma sala especial, climatizada, localizada no melhor quarto de seu apartamento. Era seu orgulho. Todos que lá iam, maravilhavam-se com o tamanho da coleção.
Elezer não fazia nada da vida. Depois de ter cursado o ensino superior, o qual não fez bom proveito, resolveu voltar a morar com a mãe, um vez que, os alugueis não o permitiram ter morada própria. Era incompetente para tudo. Não sabia administrar nem o seu dinheiro, imagine responsabilidades. Aos trinta e três anos, parecia ter vida de dezessete. Porém isso não o abalava. Seguia sua vida na normalidade. Ele e sua mãe.
A mãe de Elezer, Dona Jacobina, era mulher batalhadora, desde quando trabalhava na plantação de mandioca no sertão da Bahia. Tinha feições duras, mas seu sorriso trazia a tona sua simpatia. Seu carisma era conhecido entre os vizinhos e sua casa vivia lotada de pessoas, principalmente mulheres. Dona Jacobina havia se transformado em costureira e era desta maneira que ela pagava as contas. O dinheiro da pensão deixada por Seu Firmino, mal dava para pagar os remédios e os caprichos por discos de Elezer.
Neste dia em particular, ele resolveu sair para comprar discos. Sua loja preferida era uma que ficava no pelourinho. Era a melhor loja de Salvador e realmente não existia nada comparado no mundo, pensava ele. Seus cantores preferidos eram muitos e uma lista de suas preferências não cabe aqui. Mas neste dia ele resolver comprar um disco de Chico Buarque, pois sua coleção estava incompleta.
- Você vai aonde, Elezer? – perguntou Dona Jacobina.
- Ô mãe, não me chama disso não. Me chama de “El”.
- Eu o quê, menino?
- Eu não mãe. “El”. “El disco”.
- Não foi este nome que eu e seu pai demos a você.
- Bem mãe, você pode me chamar como quiser. Tô saindo. A senhora tem algum aí?
- Bem, pegue na caixinha, mas não muito. Tem que comprar pão e café pra de noite. Vem pro almoço?
- Claro! Desde quando eu perco a comidinha esperta da Dona Jacobina?
- Desde quando você tem dinheiro pra pagar almoço fora?
Procurar o disco entre os milhões que existiam na Loja de Bartô Mil era missão quase impossível. Mas Elezer, ou melhor, “El disco” não estava sozinho nesta empreitada. Tinha ajuda de Duda K7, a rainha dos K7. Ela era filha de Seu Bartô e trabalhava na loja. Ela e Elezer tiveram um caso no passado. Coisa de três meses. Tempo suficiente para Elezer conseguir um disco raríssimo do Pink Floyd.
Maria Léia era o nome verdadeiro de Duda K7. Uma bonita mulher. Seus vinte e quatro anos eram muito bem disfarçados. Fazia o estilo largadona e para se envolver com ela, certamente, o homem teria de possuir um motivo muito forte. Ela tinha este apelido, dado por seu pai, devido sua paixão por k7. As pequenas fitas magnéticas operavam uma verdadeira paixão na pequena. Além de escutar, ela também gravava tudo em k7. Dos roncos do pai aos momentos solitários de prazer. Elezer já tivera suas experiências com Duda k7 gravadas por ela. Escutar aquilo era muito estranho. Mas não importava. O disco era mais importante.
- Espera um pouco que eu vou aqui. – disse Duda k7.
- Porque? ‘Tava’ tão bom.
- Vou pegar o gravador – disse quase sussurrando.
- Pra quê, pequena. O negócio é mais embaixo.
Duda trouxe o imenso gravador e colocou-o sob a cama. Elezer pensou que aquilo tudo era loucura. Mas não se incomodou. O disco era mais importante.
- Eu encontrei “El”.Não é este?
- Este mesmo pequena. “Brigadão”.
- Você nunca mais passou lá em casa. Hoje eu saio mais cedo, sabia?
- Sei, mas eu prometi a velha que eu ia almoçar lá. Tenho que fazer as vontades dela de vez enquanto. Me deixa bem informado sempre, tá?
Depois de ter adquirido seu precioso LP, Elezer decidiu passear um pouco pela Baixa dos Sapateiros. O comércio local era muito bom para comprar as roupas da ultima moda, a um preço bem em conta. Porém, como não tinha dinheiro, comprava na loja de Rosana, esta sem apelido aparente.
Rosana, a mulher que qualquer homem pediu a Deus. Sua descrição constava nos mais belos poemas. Só uma coisa não foi escrita: sua generosidade. Esta não é uma boa qualidade em mulheres. Um homem generoso já não é coisa que preste. Era dona de uma pequena loja. Movimentadissima. Tinha dez atendentes, mas quando Elezer chegou, ela própria foi recepciona-lo.
- Faz um tempo que você não aparece aqui.
- É que eu tô procurando emprego, sabe? Tá muito difícil com esse negócio de concorrência.
- Também, com estas roupas. Olha esta camisa. Nem eu te contratava assim.
- Então, como eu deveria estar vestido para arrumar um emprego, hein pequena?
Elezer tinha uma palavra que encantava as mulheres. Pequena. Desde que percebeu que esta pequena palavra conjurava grandes realizações, passou a fazer parte do seu vocabulário. Todas as mulheres para ele eram pequenas. Exceto Dona Jacobina. A velha era durona.
- Onde tá o almoço, mãe?
- São duas da tarde. O almoço sai ao meio-dia. Onde você estava? Fazendo compras?
- Presentes. Não são bonitos? Olha!
Dona Jacobina não se importava muito com as armações do filho. Desde que não caísse nelas. Fechava os olhos a estas coisas, pois temia que seu filho a deixasse. Ela estava muito feliz de ter seu filho ali, lhe fazendo companhia.

11.6.09

Mais um texto velho: assim como o tempo





O moribundo


Um dia, numa certa fila, um velho desses que se aproveita da velhice para passar na frente dos sãos, me disse: “Um dia você também vai ficar velho”. Tudo bem que não foram com estas palavras, nem esta a expressão, mas o sentido era o mesmo: Ficaremos todos velhos. O presente desta constatação nos aproxima da morte, a coisa mais temida dos homens. Mas os homens não sabem da morte, até que finalmente ela chega. Chega silenciosa, devagar, como quem não quer nada, e se mostra feliz e sufocante, como cair de uma cachoeira bem alta.
Já presenciei muitas mortes, de parentes próximos à pessoas que nunca conheci. Mas a morte que mais sentirei por não presenciar será a minha própria. Devem estar a se perguntar, porque ele quer presenciar a própria morte. Para me sentir consolado. O consolo de ver pessoas ao meu redor, rezando por mim, mostrando me que valeu a pena viver. Quanta solidão, quanta pena e quanto sofrimento. O cadáver não merece tamanho mistério. Ele, ali estirado, munido da verdade a que todos, um dia, descobrirão. Ninguém quer saber da verdade. E porque o fariam.
As ruas estão cheias de gente. Para mim, sempre estarão vazias. Tenho medo de andar pelas ruas. Para onde olho, não adiantando a posição, vejo cadáveres andando. Vejo pessoas de almas mortas. Um poema, uma poesia e um titulo de prosa. Quanta criatividade eu possuo no meu leito de morte.
A melancolia pulsa nas minhas veias e penso que não adianta tentar mais nada. Não adianta mexer o braço, nem acenar para o infinito. Só me resta esperar e esperar. Para os que anda vivem, o tempo passa rápido. Para os moribundos como eu, o tempo passa devagar, baixo como um suspiro.

A vida é pra os tolos,
Para aqueles que insistem em viver
Mas ainda existem estrelas no céu
Nos resta esperar pela criação.

7.6.09

Quadrinhos e o infinito ao meu redor





Desculpa senhores. Lembro-me de ter prometido a vocês que esceveria com mais frequência. A vida, contudo, dá contornos pelos quais nem esperamos. Estou aqui, e sempre estive. Infelizmete, espíritos não escrevem palavras.


Lembro-me qu quando criança,escrevi em meu caderno de escola, uma pequena estória gráfica, sobre três personagens,os "Japas". Estranhamente, nenhum deles era nipônico ou descendente desses. Os heróis matavam uma bruxa e salvavam João e Maria.

Quadrinhos é uma expressão que no português tem uma certa conotação infantilizada. Adultos, a principio, não deveriam ter contato com este tipo de leitura. Quadrinhos são arte? Quadrinhos são literatura? O que, afinal, são os quadrinhos? O cinema para mim parece ser coisa já esclarecida. Trata-se de arte e indústria. Estética e entretenimento. Anatol Rosenfeld já falava sobre isso. A história do cinem está fortemente catalogada. Os filmes, com o advento do dvd e da internet, estão disponíveis para todos, a preços razoáveis (ou até de graça!).

Já a arte sequêncial, nos dizeres de Eisner, é um mistério do tipo Chinatown.

Procurar referências sobre sua história é uma jornada nada fácil. Títulos zero quilômetro? Impossíveis de serem encontrados. Artigos na internet são poucos. Existem blogs, comunidades no orkut, sites. Mas,poucos são os livros. E só estou falando de história.

É fundamental que qualquer mídia tenha uma referência pretérita, não só para os profissionais da área, mas também para todos aqueles que queiram educar sua leitura.

Em fins de Maio, uma das maiores editoras brasileiras, aquela cujos livros nunca têm descontos em livrarias nem feiras, a Companhia das Letras, lançou no mercado um novo "selo": Quadrinhos na Cia.. Este pretende lançar livros cuja linguagem seja os quadrinhos. E no principio foram lançados quatro. Devo adveritir aos incautos que não devemos nos precipitar. Aos intusiastas, que o mundo não gira em torno de seus umbigos. Aos mediócres, que nada foi ainda feito de substâncial. E aos desatentos, que a vida ainda não acabou. O fato é que, lançar quatro obras, que são reconhecidamente premiadas no cenário internacional (exceto Jubiabá, que é uma espécie de encomenda), sem dar oportunidade ao leitor de pelo menos treinar seu olhar, saber do que se trata, apenas concentrar a atenção no produto final, sem ao menos refletir a linguagem utilizada, dar meios para que os leitores de fim de semana saibam se preparar, não torna esse lançamento um dos mais importantes do ano. Trata-se de um fato, cuja importância só será atribuída pelos homens futuros.

Escrevi esta denunia para dizer que os quadrinhos me surpreendem. E muito. Primeiro, desde que tomei conhecimento dos lançamentos da linha Quadrinhod na Cia., fiquei muito curioso para ler a história de "Retalhos". Acho que foi no Omelete que li sobre. E minha curiosidade fez com que comprasse o livro sem nem ao menos ver o preço (Retalhos, Craig Thompson, Quadrinhos na Cia., R$ 49,00, Megastore Saraiva/Salvador). É a mais encantadora estória que li e vi sobre a vida. Conta Comigo e Meu primeiro amor são fichinha perto desde. Não quero fazer um comentário como um jornalista. Quero escrever como um leior, que se interessa e que icou estremamente surpreso com a resposta. Não sei se consigo transmitir isso em palavras.

Mas, para não dizer que tudo são flores, gostaria de dizer o quanto a religião é deturpada pelo autor. Acho que suas experiências devem ser vistas como únicas e extremamente particulares. Aquela é a leitura de mundo de Craig. Não esqueçam disso. Não se deixem influênciar por ele, pois isso seria estremamente perigoso.

Para terminar, gostaria de dizer o seguinte: Marisa Monte. O ultimo DVD da cantora mais classe A do Brasil é muito bom. Trata-se de um documentário. Não que seja um produto cuja sinceridade chegue a 100%. Trata-se, contudo, de uma aula de coo se produzir discos comerciais no Brasil. Apesar de termos conhecimento de aluguns pontos, ela (Marisa) torna-os explícitos e agradavelmente explicados. Todo ao som dos seus ultimos discos "Infinito Particular" e "Universo ao meu redor".

Vale conferir.

Os dois.

1.5.09


Mais um conto bobinho que eu escrevi no começo de minha jornada. Devaneios, devaneios...



A Lenda do Criador da História

Os ventos sopravam para o oeste, enquanto as nuvens bailavam no céu. “Que dança é essa?”, perguntavam os homens entre si. “É a dança da História”. Essa grande descoberta entusiasmou os homens mais até que a descoberta do fogo ou de Deus. Desde este momento, os homens passaram a olhar o céu com respeito curioso e diziam que lá viviam seus antepassados. Nesta época, as raízes ficavam para cima e as folhagens faziam sombra e vento aos homens. Então, como um verdadeiro trovão, começaram as queimadas. “E quem colocou fogo em tudo? Quem é este louco?”. Era o próprio homem. Não adiantava mais olhar para o céu e lembrar que um dia tudo existiu. Havia chegado o tempo das lamentações. Os homens aos poucos descobriram o que era a dor. Como último recurso, os homens pediram proteção aos deuses. Deus, então, pronunciou-se através do Sol. Antes não existia noite.

“A noite foi criada para que os homens possam se lembrar de que após o dia, que é Sol, vem a noite, que são trevas. A noite é a ira de Deus para com os homens pela sua audácia de achar que podem ser mais que Ele”.

Porém, os homens não se abalaram com a ira de Deus, pois ainda tinham a História, o deus Hades. A História passou a ser o motivo para viver. Aqui, os homens nem mais se lembraram do porquê. Ao olharem o céu, exclamavam: “Que belas estrelas!”.

Deus não ficou contente. Aliás, Deus é uma criança que sempre se ofende por tudo e cria as mais inusitadas coisas. Uma delas foi o homem. Mas o homem não gosta de ser a criatura de Deus.

Por isso, o homem criou a Ciência. Não queria viver preso a um Deus que eles próprios criaram e que afirmava que eles, os homens, foram a criação.

© Edevard Pinto França Junior


Dois dias lendo ao crepúsculo....


O que seria um crepúsculo? A resposta dessa pergunta me faz refletir sobre o porquê do cinema e da literatura não se comunicarem adequadamente. Certamente, a fraqueza dessa relação já produziu momentos memoráveis e certamente há de produzir outros tantos, apesar da já repetida idéia de que "o cinema já morreu".

Stephenie Meyer certamente não escreve como Virginia Woolf. Mas, sua criatividade é digna de ser lida pelos homens e mulheres do século XXI. Apesar de outros dizerem que é importante ler os clássicos, que realmente devem ser lidos, as obras que surgem na contemporaneidade também devem ser comtempladas de alguma forma. Exceto Chico Buarque, que pelo amor de Deus é a coisa mais medonha que a contemporaneidade já produziu. Mas, quem sou eu para dizer alguma coisa? Uma mente jovem e fraca...

Voltando a luz fraca, ao assistir ao filme, que é até meio bobinho, fiquei interessado em ler o livro, até mesmo incentivado que fui por perceber que muitas alunas minhas já tinham lido e comentavam ele em demasia durante a aula. Tive a grata surpresa de perceber que o livro utilizava várias referências, desde as religiosas até as góticas. Certamente os caras da Igreja Católica colocaram o livro dentro do index.

Há elementos dentro da narrativa literária que não foram aproveitados pela roteirista do filme, Melissa Rosenberg, o que me faz pensar que ela não soube resolver conflitos que surgiram entre os produtores do filme, na hora de adaptar a obra para a película.

A roteirista escreveu trabalhos para a televisão dos Estados Unidos, incluindo uma das minhas séries favoritas, Dexter, e uma das séries que mais odeio, The O.C.. Isso que dizer que experiência ela tem. E que também, faz coisas boas e ruins, assim como todo ser humano. Minha opinião, porém, é de que ela desfigurou a obra. Crepúscolo, de Meyer, fala sobre a tentação, o conflito gerado em amar algo que não se deveria, algo que é perigoso. Bella anda em cima da navalha, o tempo todo. Ao se apaixonar por Edward, ela está arriscando sua vida e as analogias bíblicas aqui pipocam como s fossem confetes os fogos de artifício. Infelizmente o filme não aproveita isso. Nem a roteirista nem a diretora aproveita esse elemento. E, saímos da sessão nos perguntando por que? Já estou acostumado a responder coisas, das quais eu nunca saberei a resposta. O que consola os leitores que foram assistir a adaptação é a cena do chute da maçã e a captura dela por Edward.



Comprei o livro numa promoção de uma grande rede de supermercados por um preço em conta (R$ 35,00). Depois descobri que nos sites pela internet podia ter comprado por um preço menor (R$ 25,50). Mas, não me importei muito, pois gostei da experiência. Li o livro em dois dias. Fazia muito tempo que eu não lia uma ficção. Fazia muito tempo que eu não escrevia sobre essas experiências. Realmente, para mim, ler e escrever são tentações crepúsculas. Amanhã, devo continuar o trabalho. Que seja bem vinda a realidade!

Dois anos depois

Por incrivél que pareça, hoje estou com vontade de escrever. Desde que o antigo A doce vida foi morto pelos servidores da Oi, perdi a vontade de escrever em blogs. Porém, meus textos continuaram a ser escritos, de maneira timída, crispada. O mistério da doce vida é justamente esse: como explicar os hiatos, as idas e vindas de uma coisa que ninguém sabe ao certo de onde veio, nem sabe ao ceto para onde vai. E nós, quem somos? Escrevi certa feita, num momento de particular euforia, que os homens são folhas, que correm ao som dos ventos. Descobri, contudo, que já haviam escrito isso, há mais de três milênios. Nada em minha mente é original. Nada é original na mente dos homens. O que me faz concluir que realmente nós somos cópias imperfeitas e condenadas a sermos sempre cópias.