1.5.09

Dois dias lendo ao crepúsculo....


O que seria um crepúsculo? A resposta dessa pergunta me faz refletir sobre o porquê do cinema e da literatura não se comunicarem adequadamente. Certamente, a fraqueza dessa relação já produziu momentos memoráveis e certamente há de produzir outros tantos, apesar da já repetida idéia de que "o cinema já morreu".

Stephenie Meyer certamente não escreve como Virginia Woolf. Mas, sua criatividade é digna de ser lida pelos homens e mulheres do século XXI. Apesar de outros dizerem que é importante ler os clássicos, que realmente devem ser lidos, as obras que surgem na contemporaneidade também devem ser comtempladas de alguma forma. Exceto Chico Buarque, que pelo amor de Deus é a coisa mais medonha que a contemporaneidade já produziu. Mas, quem sou eu para dizer alguma coisa? Uma mente jovem e fraca...

Voltando a luz fraca, ao assistir ao filme, que é até meio bobinho, fiquei interessado em ler o livro, até mesmo incentivado que fui por perceber que muitas alunas minhas já tinham lido e comentavam ele em demasia durante a aula. Tive a grata surpresa de perceber que o livro utilizava várias referências, desde as religiosas até as góticas. Certamente os caras da Igreja Católica colocaram o livro dentro do index.

Há elementos dentro da narrativa literária que não foram aproveitados pela roteirista do filme, Melissa Rosenberg, o que me faz pensar que ela não soube resolver conflitos que surgiram entre os produtores do filme, na hora de adaptar a obra para a película.

A roteirista escreveu trabalhos para a televisão dos Estados Unidos, incluindo uma das minhas séries favoritas, Dexter, e uma das séries que mais odeio, The O.C.. Isso que dizer que experiência ela tem. E que também, faz coisas boas e ruins, assim como todo ser humano. Minha opinião, porém, é de que ela desfigurou a obra. Crepúscolo, de Meyer, fala sobre a tentação, o conflito gerado em amar algo que não se deveria, algo que é perigoso. Bella anda em cima da navalha, o tempo todo. Ao se apaixonar por Edward, ela está arriscando sua vida e as analogias bíblicas aqui pipocam como s fossem confetes os fogos de artifício. Infelizmente o filme não aproveita isso. Nem a roteirista nem a diretora aproveita esse elemento. E, saímos da sessão nos perguntando por que? Já estou acostumado a responder coisas, das quais eu nunca saberei a resposta. O que consola os leitores que foram assistir a adaptação é a cena do chute da maçã e a captura dela por Edward.



Comprei o livro numa promoção de uma grande rede de supermercados por um preço em conta (R$ 35,00). Depois descobri que nos sites pela internet podia ter comprado por um preço menor (R$ 25,50). Mas, não me importei muito, pois gostei da experiência. Li o livro em dois dias. Fazia muito tempo que eu não lia uma ficção. Fazia muito tempo que eu não escrevia sobre essas experiências. Realmente, para mim, ler e escrever são tentações crepúsculas. Amanhã, devo continuar o trabalho. Que seja bem vinda a realidade!

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