Mais um conto bobinho que eu escrevi no começo de minha jornada. Devaneios, devaneios...
A Lenda do Criador da História
Os ventos sopravam para o oeste, enquanto as nuvens bailavam no céu. “Que dança é essa?”, perguntavam os homens entre si. “É a dança da História”. Essa grande descoberta entusiasmou os homens mais até que a descoberta do fogo ou de Deus. Desde este momento, os homens passaram a olhar o céu com respeito curioso e diziam que lá viviam seus antepassados. Nesta época, as raízes ficavam para cima e as folhagens faziam sombra e vento aos homens. Então, como um verdadeiro trovão, começaram as queimadas. “E quem colocou fogo em tudo? Quem é este louco?”. Era o próprio homem. Não adiantava mais olhar para o céu e lembrar que um dia tudo existiu. Havia chegado o tempo das lamentações. Os homens aos poucos descobriram o que era a dor. Como último recurso, os homens pediram proteção aos deuses. Deus, então, pronunciou-se através do Sol. Antes não existia noite.
“A noite foi criada para que os homens possam se lembrar de que após o dia, que é Sol, vem a noite, que são trevas. A noite é a ira de Deus para com os homens pela sua audácia de achar que podem ser mais que Ele”.
Porém, os homens não se abalaram com a ira de Deus, pois ainda tinham a História, o deus Hades. A História passou a ser o motivo para viver. Aqui, os homens nem mais se lembraram do porquê. Ao olharem o céu, exclamavam: “Que belas estrelas!”.
Deus não ficou contente. Aliás, Deus é uma criança que sempre se ofende por tudo e cria as mais inusitadas coisas. Uma delas foi o homem. Mas o homem não gosta de ser a criatura de Deus.
Por isso, o homem criou a Ciência. Não queria viver preso a um Deus que eles próprios criaram e que afirmava que eles, os homens, foram a criação.
© Edevard Pinto França Junior


