1.5.09


Mais um conto bobinho que eu escrevi no começo de minha jornada. Devaneios, devaneios...



A Lenda do Criador da História

Os ventos sopravam para o oeste, enquanto as nuvens bailavam no céu. “Que dança é essa?”, perguntavam os homens entre si. “É a dança da História”. Essa grande descoberta entusiasmou os homens mais até que a descoberta do fogo ou de Deus. Desde este momento, os homens passaram a olhar o céu com respeito curioso e diziam que lá viviam seus antepassados. Nesta época, as raízes ficavam para cima e as folhagens faziam sombra e vento aos homens. Então, como um verdadeiro trovão, começaram as queimadas. “E quem colocou fogo em tudo? Quem é este louco?”. Era o próprio homem. Não adiantava mais olhar para o céu e lembrar que um dia tudo existiu. Havia chegado o tempo das lamentações. Os homens aos poucos descobriram o que era a dor. Como último recurso, os homens pediram proteção aos deuses. Deus, então, pronunciou-se através do Sol. Antes não existia noite.

“A noite foi criada para que os homens possam se lembrar de que após o dia, que é Sol, vem a noite, que são trevas. A noite é a ira de Deus para com os homens pela sua audácia de achar que podem ser mais que Ele”.

Porém, os homens não se abalaram com a ira de Deus, pois ainda tinham a História, o deus Hades. A História passou a ser o motivo para viver. Aqui, os homens nem mais se lembraram do porquê. Ao olharem o céu, exclamavam: “Que belas estrelas!”.

Deus não ficou contente. Aliás, Deus é uma criança que sempre se ofende por tudo e cria as mais inusitadas coisas. Uma delas foi o homem. Mas o homem não gosta de ser a criatura de Deus.

Por isso, o homem criou a Ciência. Não queria viver preso a um Deus que eles próprios criaram e que afirmava que eles, os homens, foram a criação.

© Edevard Pinto França Junior


Dois dias lendo ao crepúsculo....


O que seria um crepúsculo? A resposta dessa pergunta me faz refletir sobre o porquê do cinema e da literatura não se comunicarem adequadamente. Certamente, a fraqueza dessa relação já produziu momentos memoráveis e certamente há de produzir outros tantos, apesar da já repetida idéia de que "o cinema já morreu".

Stephenie Meyer certamente não escreve como Virginia Woolf. Mas, sua criatividade é digna de ser lida pelos homens e mulheres do século XXI. Apesar de outros dizerem que é importante ler os clássicos, que realmente devem ser lidos, as obras que surgem na contemporaneidade também devem ser comtempladas de alguma forma. Exceto Chico Buarque, que pelo amor de Deus é a coisa mais medonha que a contemporaneidade já produziu. Mas, quem sou eu para dizer alguma coisa? Uma mente jovem e fraca...

Voltando a luz fraca, ao assistir ao filme, que é até meio bobinho, fiquei interessado em ler o livro, até mesmo incentivado que fui por perceber que muitas alunas minhas já tinham lido e comentavam ele em demasia durante a aula. Tive a grata surpresa de perceber que o livro utilizava várias referências, desde as religiosas até as góticas. Certamente os caras da Igreja Católica colocaram o livro dentro do index.

Há elementos dentro da narrativa literária que não foram aproveitados pela roteirista do filme, Melissa Rosenberg, o que me faz pensar que ela não soube resolver conflitos que surgiram entre os produtores do filme, na hora de adaptar a obra para a película.

A roteirista escreveu trabalhos para a televisão dos Estados Unidos, incluindo uma das minhas séries favoritas, Dexter, e uma das séries que mais odeio, The O.C.. Isso que dizer que experiência ela tem. E que também, faz coisas boas e ruins, assim como todo ser humano. Minha opinião, porém, é de que ela desfigurou a obra. Crepúscolo, de Meyer, fala sobre a tentação, o conflito gerado em amar algo que não se deveria, algo que é perigoso. Bella anda em cima da navalha, o tempo todo. Ao se apaixonar por Edward, ela está arriscando sua vida e as analogias bíblicas aqui pipocam como s fossem confetes os fogos de artifício. Infelizmente o filme não aproveita isso. Nem a roteirista nem a diretora aproveita esse elemento. E, saímos da sessão nos perguntando por que? Já estou acostumado a responder coisas, das quais eu nunca saberei a resposta. O que consola os leitores que foram assistir a adaptação é a cena do chute da maçã e a captura dela por Edward.



Comprei o livro numa promoção de uma grande rede de supermercados por um preço em conta (R$ 35,00). Depois descobri que nos sites pela internet podia ter comprado por um preço menor (R$ 25,50). Mas, não me importei muito, pois gostei da experiência. Li o livro em dois dias. Fazia muito tempo que eu não lia uma ficção. Fazia muito tempo que eu não escrevia sobre essas experiências. Realmente, para mim, ler e escrever são tentações crepúsculas. Amanhã, devo continuar o trabalho. Que seja bem vinda a realidade!

Dois anos depois

Por incrivél que pareça, hoje estou com vontade de escrever. Desde que o antigo A doce vida foi morto pelos servidores da Oi, perdi a vontade de escrever em blogs. Porém, meus textos continuaram a ser escritos, de maneira timída, crispada. O mistério da doce vida é justamente esse: como explicar os hiatos, as idas e vindas de uma coisa que ninguém sabe ao certo de onde veio, nem sabe ao ceto para onde vai. E nós, quem somos? Escrevi certa feita, num momento de particular euforia, que os homens são folhas, que correm ao som dos ventos. Descobri, contudo, que já haviam escrito isso, há mais de três milênios. Nada em minha mente é original. Nada é original na mente dos homens. O que me faz concluir que realmente nós somos cópias imperfeitas e condenadas a sermos sempre cópias.